Categoria: Bem Estar

Eu li: Equilíbrio Emocional, de Lourdes Possatto

19 fev



Quantas pessoas você conhece e que pode dizer que são equilibradas emocionalmente? Eu, pelo menos, olho para os lados e vejo muita gente querendo ser melhor, porém se empenhando pouco. Vejo também quem tenta melhorar o seu agir somente para com os outros (não ofender, não gritar), sem perceber que é necessário agradar a si mesmo primeiro. Eu mesma peco em alguns aspectos. Muitos querem ser equilibrados, outros apenas fingem sê-lo, entretanto o que observo é que a maioria está perdida.

Então eu lhe pergunto: Você tem equilíbrio emocional?

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Mas o que seria equilíbrio emocional? Às vezes ainda o confundem com ser boboca. Com não reagir mesmo se alguém lhe agredir física ou verbalmente. Estão enganados. Como o próprio termo nos diz, ser equilibrado emocionalmente é saber controlar suas emoções de maneira que elas não sejam maiores do que você. Por exemplo, quando alguém sente muita raiva e desconta isso brigando com qualquer um. Isso é a emoção agindo, controlando e guiando os atos dessa pessoa. Ela se deixou dominar pela raiva. O mesmo acontece com a tristeza, ciúmes, ansiedade e etc.

Ter equilíbrio emocional não é não sentir e não reagir. Aliás, é o oposto. É sentir, entender o que está acontecendo e então reagir de maneira que não prejudique nem você e nem os outros. A gente sente quando está agindo por impulso, e geralmente nos arrependemos depois. Você não pode bater em ninguém só porque está sentindo raiva, certo? Mas pode apertar uma almofada, ou extravasar de outra maneira. A questão não é evitar sentir raiva, até porque as emoções não surgem só quando queremos, mas sim saber o que fazer quando ela aparece.

Quando você escolhe como reagir em uma situação, apesar do impulso e de maneira que ninguém saia na pior, você está agindo de forma equilibrada. Porém essa consciência você só adquire quando se conhece bem.

Agora que já entendemos um pouco o conceito, vamos ao livro (finalmente!).

O livro

O livro possui cinco capítulos. No primeiro a autora Lourdes Possatto fala sobre a responsabilidade que devemos ter conosco e com nossos atos. Isso quer dizer que não adianta esperar que o outro supra a nossa carência ou necessidade de qualquer coisa, pois somente nós mesmos, através do autoconhecimento, podemos descobrir onde estão os vazios e encontrar a melhor maneira de preenchê-los. Tampouco adianta agir sem qualquer critério e por a culpa em outros: “Mas meus pais faziam isso também”. Ou ainda culpar a vida pelos fracassos. Em ambas as situações você coloca em fatores externos a responsabilidade por sua vida, o que tira de você o seu poder de ação e de mudança.

O segundo capítulo refere-se bem àquela pessoa que sempre se doa para os familiares e amigos e quase nunca pensa em si mesma. Já percebeu que quanto mais ela se doa, mais exigem dela? E por que será que isso acontece? Porque essa pessoa está mostrando ao mundo que suas vontades e desejos não são importantes, e por não estar se respeitando ela também recebe desrespeito dos que estão ao seu redor. É a lei da atração, sim. Se você está constantemente com raiva ou amargurado, vai cruzar com mais e mais desses sentimentos. Não adianta viver reclamando e esperar receber amor em troca. Você precisa se cuidar da maneira que deseja ser cuidado, emitir o que deseja receber.

Você planta batatas esperando colher cenouras?

Ainda, a psicóloga nos fala como cada acontecimento, situação ou pessoa que encontramos ao longo da vida estão ali porque precisamos aprender algo. A pessoa que se desconsidera em função dos demais, só encontra pessoas carentes que “sugam” sua energia. Isso acontece para que ela aprenda a se enxergar e se cuide mais.

O próximo capítulo aborda mudanças de paradigmas. Como esse tópico se apresenta em nossas vidas? Simples, quando temos aquelas crenças fixas desde a infância que “os outros me passam pra trás”, “eu não consigo aprender nada”, “eu não sou uma boa pessoa”, “eu sou um inútil”, etc. Essas crenças geram maus pensamentos, que produzem ações ruins e resultados ruins, e estes fazem com que as crenças se perpetuem. A autora nos orienta a descobrir quando esses paradigmas foram criados, para então começar a desconstruí-los. E a perceber que fazemos o melhor de acordo com o que sabemos naquele momento.

Na parte final do livro, encontramos comentários sobre nossa responsabilidade com nossas emoções e a psicóloga discorre sobre vários quadros emocionais, como insegurança, ansiedade, medo, ciúme, depressão, inveja e outros. Segundo ela, a chave para termos controle sobre o que sentimos é o autoconhecimento. Todos nós temos bagagem emocional da infância e de outras fases da vida. Todos nós temos ego e essência. Ao nos conhecermos, podemos perceber o que foi adquirido ao longo dos anos, o que é ego (sentimentos incapacitantes e limitantes), o que é essência (nosso interior verdadeiro) e o que podemos trabalhar para melhorar. O que acreditamos (ou pensamos), se transforma em sensações no corpo e depois até em doenças.

Minhas impressões

Equilíbrio Emocional não é o meu primeiro livro da Lourdes Possatto, portanto eu já estava familiarizada com alguns conceitos e não me choquei tanto. No início a gente estranha um pouco a abordagem da psicóloga ao dizer que “nós somos responsáveis pela vida que criamos”. É forte e talvez um tanto insensível. Entretanto, após alguma reflexão a gente vai percebendo que tudo faz sentido, sim.

Ao parar e analisar o momento em que vive hoje, você não poderia dizer que ele surgiu após uma sucessão de momentos e escolhas anteriores? Eu encaro minha vida assim. Se algo fosse feito diferente antes (talvez com mais consciência e equilíbrio), o cenário atual também seria outro. É ação e reação, atos e consequências. Da mesma forma, é muito verdade que nossos pensamentos têm o poder de nos fazer sentir bem ou mal. Pensa aí em você na praia, o som do mar. Relaxou, né? Agora pensa em você em um trânsito caótico. 😉

Imagina agora alguém ansioso no meu nível super hard de pensamentos pra ter uma noção.

Se, assim como eu, você deseja se conhecer melhor e acabar com hábitos nocivos que tem para consigo mesmo, eu recomendo muito esta leitura. Mudar não é fácil e leva tempo, né? Porém, não vá esperando uma abordagem dócil, tipo “passando a mão pela cabeça”. A Lourdes passa confiança e experiência profissional em suas palavras, mas fala a verdade como ela é. Quando você vai além do choque inicial e filtra o que serve para você, fica mais fácil mudar. Não é um substituto para uma terapia convencional, mas pelo menos pra mim, dá uma ajuda.

A verdade é que eu observo muita gente sendo só ego por aí e criando discórdia à toa por causa que questões/traumas que poderiam ser trabalhados. Estão cheias de emoções negativas dentro de si, e seus atos só trazem mais destas mesmas emoções para suas vidas. Sinto, portanto, que preciso levar a mensagem deste livro adiante, para tentar atingir quem esteja propenso a ser quem verdadeiramente é, a ser essência. Todos nós temos traumas, medos, angústias e toda a sorte de emoções nocivas e contraditórias. O importante é perceber que nunca seremos perfeitos, mas podemos sim levar uma vida mais saudável e equilibrada.

A Lourdes diz que cada um de nós somente é responsável pela própria vida (leia-se que ninguém muda ninguém, ninguém convence/influencia ninguém), e que não é egoísmo querer se cuidar primeiro. Então, que tal experimentar agir um pouco em favor de si mesmo?

Obs: O livro é bem escrito, mas poderia ser revisado para se adequar às novas regras de ortografia.

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