Temos apenas um caminho?

26 abr

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Muitos de nós cresceu com a ideia de que temos que, em algum momento, decidir quem somos e o que queremos fazer com as nossas vidas. Isso vem lá dos nossos pais e avós, que esperam pelo dia em que vamos crescer e “tomar jeito”, significando que deixaremos as descobertas de lado e escolheremos um caminho a seguir. E que morreremos com essa escolha.

Você pensa ou já pensou assim, acertei? Pois eu também.

Hoje, quanto mais conheço o mundo, as pessoas e a mim mesma, vejo o número infinito e crescente de coisas que são capazes de me deixar feliz. Vejo que existe mais de um caminho para mim. A cada ano invento atividades novas, me deparo com outras que gostaria de experimentar e conhecer, e assim acabo descobrindo talentos (ou inclinações) que eu nem imaginava possuir.

E isso é extremamente confuso para a minha cabeça, que é BEM sistemática e não dá conta de tudo o que eu faço, quero ou gostaria de fazer. Eu ainda tento, inutilmente, me encaixar em algum modelo de vida e tenho que me cuidar para não me definir de maneira breve, quando a minha personalidade é múltipla.

Explico melhor: na infância, eu adorava inventar histórias, me arrumar e dançar sozinha. Adorava música e cantar. Na adolescência comecei a gostar de inglês e espanhol, de ler, e de usar o computador. Todas as horas disponíveis do meu dia eram destinadas ao inglês, ou à informática. Além disso, gostava de ensinar (no sentido de ajudar) e da rotina escolar, então no início da vida adulta cometi o erro de tentar me definir por uma única palavra: professora.

Foi aí que as coisas desandaram. Eu já era adulta, tinha que “dar jeito” na minha vida e abandonar aquelas diversões infantis. Escolher meu caminho. Certo? As leituras, as escritas, as músicas e a informática agora ficariam em segundo plano. O inglês apenas seria praticado em sala de aula, com o objetivo de ensinar. Isso me trouxe uma tristeza sem tamanho. Eu não queria enterrar todas aquelas habilidades! Elas me fizeram tão feliz um dia! Para engrossar o caldo, me apareceram outras paixões: a tradução, a yoga (e tudo que compõe o bem estar físico e mental) a organização pessoal, o empreendedorismo, a filosofia e a psicologia. Me apaixonei por gatos. Até a matemática que fora o meu terror no Ensino Médio pareceu ficar menos demoníaca.

Então percebi que não dava para ter só um caminho. Eu tinha que mudar minha visão para preservar meu bem-estar físico e emocional. Não era falta de foco, não era coisa de criança, que a gente esquece com o tempo e vira adulto chato. Eu realmente gosto (em níveis diferentes, claro) de tudo o que acabei de listar. Talvez até tenha esquecido de algo. E por isso eu não me encaixo em nenhum molde, não posso me definir por uma profissão que é minha paixão única de toda eternidade, minha missão recebida por ordem divina. Não posso fazer uma só atividade até morrer.

Tenho mais de uma paixão, missão, profissão, o que seja. Sou múltipla. Acredito que muitas pessoas também sejam assim, mesmo que não percebam ou assumam. Porém não se engane: gerenciar tantos gostos não é moleza. Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo. Temos que priorizar em algum momento. Escolher um caminho, uma atividade, mas só por hoje. No dia seguinte a gente faz diferente. Não dá pra se especializar em tudo, nem tudo vira profissão. Não tem problema. É para isso que existe os hobbies.

E não há nada de errado em ser assim. Se você se identificou comigo, relaxe. Pode ser difícil, mas no final tudo entra nos eixos. Nós vamos encontrar ou fazer nosso próprio caminho. E ainda levaremos todos os nossos talentos na bagagem.

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